A escolha de Adriano Pires para presidente da Petrobras reforça um movimento de enfraquecimento e desprestígio do ministro da Economia, Paulo Guedes, na Esplanada dos Ministérios.
O movimento ainda expõe o fortalecimento do centrão, especialmente o grupo liderado pelo PP, de Arthur Lira e Ciro Nogueira (Casa Civil), que já tem poderes sobre decisões do ministro da Economia, principalmente no que diz respeito a Orçamento.
O nome de Pires não foi discutido com Guedes, que dias antes dizia a seus interlocutores que Joaquim Silva e Luna não cairia do comando da Petrobras. Guedes foi apenas comunicado da substituição e do novo nome para a presidência da estatal.
Não pôde discutir, discordar ou apelar contra a decisão já tomada pelo presidente Jair Bolsonaro, que trocou ideias, sim, com Nogueira, Lira e outros nomes, além do ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, a quem também coube apenas acatar a decisão.
Outro ponto que revela o desprestígio de Guedes com o chefe é que Pires defende ideias rejeitadas pela equipe econômica, como a que o senador petista Jean Paul Prates conseguiu aprovar no Senado e que está parada na Câmara.
Lira defende a criação de um fundo para mitigar as altas do valor do petróleo no mercado internacional sobre o preço que o brasileiro paga pelos combustíveis. Disse a aliados que vai incluir Pires na discussão do projeto.

