Os desejos do PT em aprovar projetos no Congresso antes de assumir formalmente o governo dão mais poder ao Centrão. A estratégia apoiada por Lula tem sido executada à revelia dos conselhos de Renan Calheiros, que sugeriu ao governo eleito esperar passar a posse.
Parte da base petista no Congresso e de integrantes do governo eleito tendem a concordar com o senador por Alagoas. Parlamentares petistas e interlocutores do partido disseram ao Bastidor que temem que o Centrão consiga ministérios e repita escândalos de corrupção de governos petistas, como o Mensalão e a Lava Jato.
O PT participou desses esquemas, mas tinha a seu lado, entre outros, o PP. Parte dos petistas não confia nos progressistas. Um dos poucos integrantes do PP que conta com a simpatia dos petistas é o pesidente da Câmara, Arthur Lira, considerado um “cumpridor de acordos”.
Claro: Lira é o dono do orçamento secreto, ferramenta aprovada por nove entre dez parlamentares. “Cumpridor de acordos” significa que ele liberou verbas prometidas aos petistas no sistema da falta de transparência. Os petistas desconfiam mais do presidente do PP, Ciro Nogueira.
Uma das preocupações é a mudança da Lei das Estatais, que reabre a porta para a politização das empresas públicas. A alteração, se aprovada pelo Senado, facilitará a instalação deAloizio Mercadante na presidência do BNDES e de Jean Paul Prates na presidência da Petrobras. Aloisio Mercadante na presidência do BNDES. Mas beneficiará mais ainda o Centrão, que busca cargos do tipo.

